Fontes de Pesquisa Experiências do Semi-Árido Sobre o Observatório O Semi-Árido na Mídia
 
      Quarta-feira, 08 de setembro de 2010
 Agricultura Familiar
 Agronegócio
 Água
 Ciência e Tecnologia
 Comunicação
 Convivência com o Semi-Árido
 Criança e Adolescente
 Cultura
 Desenvolvimento Territorial
 Educação
 Gênero
 Indústria
 Juventude
 Meio Ambiente
 Movimentos Sociais
 Políticas Públicas
 Rio São Francisco
 Saúde
 Seca
 Segurança Alimentar
 Terra
 Turismo
  Listar todas os Clippings
  Buscar pela Fonte
Mãos femininas cultivando a esperança no semi-árido
15.08.2009 | Gênero

Grupo de Mulheres Agricultoras da Comunidade de Várzea do Barro – Umarizal - RN

 Era 2007, quando cinco mulheres interessadas em trabalhar com um projeto de criação de galinha, formaram o Grupo de Mulheres Agricultoras da Comunidade de Várzea do Barro. A comunidade fica no município de Umarizal Oeste do Rio Grande do Norte. Mesmo antes de se reunir em grupo; elas já viviam inconformadas com o fato de o seu trabalho na roça, não receber o devido valor. “Os homens, inclusive os nossos maridos, nunca valorizam o nosso trabalho. Para eles, o nosso trabalho é considerado uma ajuda sempre. Só que além de trabalhar na roça, a gente dá conta dos filhos, da casa e deles” fala Rita de Souza.

Meses depois surgiu a proposta de construir uma cisterna calçadão de 16 mil litros e montar um quintal produtivo. Elas aceitaram a experiência de imediato. Mas, logo de início enfrentaram os primeiros desafios. ”Os nossos maridos não acreditaram que seriamos capazes de tocar a experiência. Mas nós não só convencemos eles de nossa capacidade de iniciar o trabalho, como também da importância de participarem dele. Foi quando eles começaram a nos ajudar na construção da cisterna” relata Vânia Maria. Do início ao fim da construção da cisterna as mulheres se mantiveram unidas.

Dividiram a mão de obra, despesas financeiras de contrapartida e a participação dos esposos e filhos no trabalho. Fizeram um intercâmbio na comunidade de Teixeira onde jovens cultivam uma horta e tiveram uma capacitação para fabricar o biofertilizante. Na implantação dos canteiros lonados elas enfrentaram a resistência dos esposos, que há anos aprenderam com os pais outra forma de plantar. “Ah, foi muita confusão. Eles aprenderam há anos a plantar as verduras de forma diferente e falavam: não está vendo que isso não vai dar certo? Quem já se viu plantar as coisas dentro de uma lona?” nos diz Edna Mesquita.

Plantaram coentro, pimentão, tomate e ervas medicinais e em breve deverão colher os frutos de seu cultivo. A expectativa é grande e já fazem planos para o futuro. “Hoje nós gastamos cerca de R$ 30,00 por mês com verdura cheia de veneno. Eu espero que a gente possa tirar do nosso canteiro todas as verduras que precisamos em casa. Comer um alimento que nós produzimos sem veneno, não tem preço", comenta Rita de Souza.

 A experiência de cuidar de uma produção em grupo estimulou nas mulheres a vontade de reivindicar na associação comunitária outros benefícios. Para tanto fazem planos de participarem dos espaços de decisão para fazer valer as suas vozes. “O Semiárido é uma região que dá para viver. Basta que os governantes trabalhem pelas comunidades rurais. Nós pretendemos fazer parte da diretoria da associação para defender essas reivindicações. Por que só em casa, na cozinha, ninguém vai escutar o que a gente tem pra dizer”. Vânia Maria - Sítio Alegre - Antônio Martins - RN

Fonte: Diaconia
 
Webfeira Desenvolvimento de Sites