Sítio Alegre fica a 10 quilômetros de distância do município de Antônio Martins, no Rio Grande do Norte. Marcada pela carência causada pela escassez de água para consumo humano e uso de modo geral, a comunidade sofre também com a falta de saneamento básico e com a insegurança alimentar. "Estou com quase oitenta anos de idade, nunca tive oportunidade de construir um banheiro. Pra mim, sempre foi algo muito distante da realidade, acho que vou morrer e não vou ter banheiro em casa". Este era o sentimento de D. Maria Batista Bezerra, 78 anos, matriarca das 11 famílias que formam a comunidade.
D. Maria é a proprietária dos 15 hectares de terra onde vivem as famílias e deste espaço que todos tentam tirar o seu sustento. Além da produção de alimentos, insuficiente para todos, a comunidade conta apensa com algumas bolsas famílias e cinco pessoas que recebem aposentadoria. A falta de organização social era em grande parte responsável pela ausência de ações públicas na comunidade que é formada por nove casas de alvenaria, a maioria sem reboco e com o chão batido e outras duas de taipa. Em período de estiagem a água que abastece o sítio vem de comunidades vizinhas, em ancoretas no lombo de jumentos.
A única água disponível na comunidade é a de beber, retirada de dois cacimbões. Essa água é usada de forma racional para durar o ano todo. Mesmo assim, em anos de estiagem os cacimbões secam, sendo necessário beber água de açude, ainda mais contaminada e poluída que a dos cacimbões. Por meio do Projeto financiado pela União Européia as dificuldades começam a ser superadas, tendo apresentado avanços através de cursos, capacitações e reuniões que vem contribuindo para a melhoria das condições de vida das famílias.
Com boa participação de todos nas atividades, sejam de ordem produtiva ou de formação política. Até agora foram construídas três cisternas calçadão, com capacidade de armazenar 16 mil litros de água com recursos do Projeto e uma cisterna de 24 mil litros com recursos do Poder Público municipal para minimizar a falta d'água para beber. Foram também implantadas cinco hortas, três experiências de criação de caprinos e uma de aves e construídos quatro banheiros redondos e duas caixas d'água.
Pela situação de carência, as pessoas não acreditavam que fosse possível ter acesso à água e muito menos a outras ações que contribuem com a organização da comunidade. Porém hoje a realidade é outra devido ao apoio recebido do Projeto da União européia e da Prefeitura, mas principalmente pela nova consciência de organização social existente na comunidade.