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      Quarta-feira, 08 de setembro de 2010
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Algodão Agroecológico promovendo mudanças no semiárido
14.08.2009 | Agricultura Familiar

O Sr. Miguel Saraiva de Souza; 57 anos, é casado com dona Antonia Saraiva de Souza, 60 anos e tem três filhos. Residem na comunidade de Murici em Umarizal, Oeste do Rio Grande do norte. A agricultura era a única fonte de renda da família. Sempre cultivaram algodão, milho, feijão, arroz e gergelim de forma convencional. “Desde pequena que eu já trabalhava na agricultura com meus pais,  e a gente aprendeu com eles a queimar, capinar a terra e usar veneno”, relembra Dona Antônia.  

De todos os cultivos, o algodão era o único com venda garantida embora para atravessadores a um custo muito baixo. “ Na época a gente plantava o algodão do tipo mocó, que tem o caroço bem pretinho, a fibra extensa e a lã bem solta. Esse algodão tem a fibra considerada de melhor qualidade”, resgata Seu Miguel. Com a grande incidência do bicudo (principal praga do algodão) seu Miguel e dona Antônia contam que ainda tentaram fazer o controle do inseto aumentando dosagem do veneno. “Passamos a comprar mais veneno e colocar mais nas plantas, mas não adiantou.” Foi então que a agente desistiu de produzir. Assim, a família perdeu a principal fonte de renda. 

Passaram-se s anos e a família começou a participar da Associação Comunitária de Murici,  tendo sido em 1996 contemplada com uma cisterna. Em 2003 seu Miguel, outros agricultores e técnicos da Diaconia fizeram um intercâmbio sobre produção de algodão agroecológico em Tauá, ceará. A partir desse momento ele resolve fazer uma experiência junto com seu filho Márcio Moura e outros agricultores dos municípios de Umarizal e Caraúbas. O grupo começa a identificar outras formas de produção e manejo sem o uso de venenos para combate do bicudo.

 Enfim, após anos cultivando algodão da forma convencional, a famílias de Miguel Saraiva de Souza consegue retomar seu plantio sem uso de venenos e em consórcio com outras culturas. Fazem o controle do bicudo e outras espécies agressoras com defensivos naturais à base de Nim (Azadirachta indicaA. Juss) e com outras práticas agroecológicas, chegando a colher na primeira produção uma média de 500 kg do produto em rama com apenas um hectare cultivado junto com outras culturas como: gergelim, sorgo, girassol e feijão guandu.

A produção desde 2007 vem sendo cuidadosamente colhida, armazenada e beneficiada para exportação.  Eu não acreditei, porque a gente colocou tanto veneno e não acabou com o inseto, imagine então, colocando defensivo a base de outras plantas. Mas aí quando eu vi aquele mundo de algodão forte  eu disse eu vou tentar”.Miguel Saraiva de Souza – Comunidade de Murici – Umarizal - RN 

 

Fonte: Diaconia
 
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