28.08.2008 | Água | Convivência com o Semi-Árido | Agricultura Familiar
Um grupo de dirigentes, técnicos e políticos de seis países africanos - Angola, Gana, Moçambique, Namíbia, Quênia, Tanzânia - chegam a Pernambuco, nesta quinta-feira, 28, para conhecer de perto as experiências de convivência com o Semi-Árido desenvolvidas pela sociedade civil, através da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), e que contam com o apoio do governo federal.
A visita será na propriedade dos agricultores Maria Joelma da Silva e Roberto Pereira da Silva, no município de Cumaru, no Semi-Árido pernambucano. Lá, os participantes vão conhecer a experiência do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) da ASA, que já levou água de qualidade para mais de um milhão de pessoas em todo Semi-Árido. Outra experiência que será apresentada aos visitantes é a cisterna-calçadão, uma das tecnologias que está sendo implementada no Semi-Árido pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), também da ASA. Esse tipo de reservatório acumula 52 mil litros de água que são usados na produção de alimentos.
Além das duas cisternas, o casal de agricultores desenvolve a agrofloresta - sistema de cultivo que permite a co-existência de diversos tipos de plantas numa mesma área e que não utiliza nenhum tipo de adubo químico. Com água de qualidade ao lado da casa e alimento saudável na mesa, Joelma e Roberto mostram que, a partir de tecnologias simples e baratas, é possível conviver com o Semi-Árido. E é essa experiência positiva que eles querem repassar durante a visita, de forma que o conhecimento transmitido possa se multiplicado junto a outras famílias da África que enfrentam essa mesma realidade.
O intercâmbio dos países africanos faz parte da Missão de Estudos do Programa Brasil-África em Desenvolvimento Social e representa uma forma de aprofundar os laços políticos, diplomáticos e de desenvolvimento entre as duas nações, na perspectiva de trocar conhecimentos técnicos sobre políticas bem-sucedidas de promoção e proteção social.
Além dos projetos da ASA, a delegação irá conhecer as experiências do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) e do Programa Bolsa Família. A comitiva fica no Recife até o dia 29 de agosto. Antes de chegar à capital pernambucana, os africanos participaram de uma série de seminários e mesas temáticas sobre os programas sociais do governo brasileiro no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
A ASA - Articulação no Semi-Árido Brasileiro é um fórum de organizações da sociedade civil, que atuam em prol do desenvolvimento social, econômico, político e cultural do semi-árido brasileiro. Para isso, a Articulação vem implementando uma série de ações, a exemplo dos Programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que extrapolam o universo das intervenções emergenciais e de assistência social, mostrando que a vida no Semi-Árido é viável e pode ser digna.
Criado e executado pela Articulação no Semi-Árido (ASA), o Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semi-Árido: Um Milhão de Cisternas (P1MC) tem promovido a descentralização das estruturas de abastecimento de água e, conseqüentemente, a democratização desse elemento essencial à vida. Em cinco anos de existência, o P1MC provocou mudanças sociais, políticas e econômicas significativas na região Semi-Árida. Foram mais de 230 mil cisternas construídas, espalhadas em 18.570 comunidades, em 1.031 municípios, beneficiando mais de 1 milhão de pessoas.
O P1+2 visa reconhecer e valorizar os saberes dos agricultores e agricultoras do Semi-Árido brasileiro, incentivando processos participativos de troca de experiências e construção coletiva do conhecimento, através da promoção de intercâmbios e sistematização de experiências de convivência com o Semi-Árido. Em maio de 2008, a ASA iniciou as atividades do projeto-piloto do P1+2. Essa fase terá duração de um ano e tem como objetivo contribuir para a segurança e a soberania alimentar e a geração de renda de 3.414 famílias agricultoras, através da sistematização, do intercâmbio e da implementação de tecnologias sociais de manejo sustentável da terra e da água. As atividades desta etapa serão desenvolvidas em 100 municípios localizados nos estados de Pernambuco, da Paraíba, de Alagoas, do Rio Grande do Norte, da Bahia, de Sergipe, do Ceará, do Piauí e de Minas Gerais .
Para saber mais sobre a ASA e seus programas, acesse www.asabrasil.org.br .