A agroecologia se mistura à vida do povo, na história de uma agricultura de origem camponesa que forjou as Minas e os Gerais. Desenvolve-se numa estreita interação com os ecossistemas, as relações sociais, a cultura e a história do povo de cada lugar. O Estado de Minas é plural, ou seja, está inserido numa região com ambientes e contextos diferentes, onde a agricultura familiar se molda. Daí, toda a diversidade de iniciativas agroecológicas, fruto dessa rica interação, que se traduz em arranjos produtivos e circuitos econômicos que movimentam feiras, mercados, centrais de abastecimentos.
Essas iniciativas precisam estar mais articuladas para ganhar força. A agroecologia precisa ser mais pautada nas políticas públicas, e a diversidade dos arranjos agroecológicos de Minas Gerais, presente nas discussões e no debate nacional. A Articulação Mineira de Agroeologia - AMA surge da necessidade de juntar forças e costurar uma colcha de retalho com as cores da agroecologia. Criada em setembro de 2003, a AMA é uma rede estadual de organizações de apoio e assessoria a ONG´s e organizações representativas de agricultores e familiares que atuam nas diferentes mesorregiões do estado de Minas Gerais.
Muitas dessas entidades e organizações têm experiência de quase duas décadas na implementação de serviços de organização da produção da agricultura familiar junto a famílias de agricultores, assentados da reforma agrária e comunidades tradicionais, como indígenas, vazanteiros, geraizeiros e quilombolas. Esses serviços são baseados nos princípios agroecológicos e na utilização de metodologias participativas que privilegiam a relação horizontal entre agricultores e a construção coletiva do conhecimento agroecológico.
Dar visibilidade, tornar conhecida a diversidade agroecológica de Minas Gerais e fortalecer a AMA como organização capaz de intervir nas políticas públicas estaduais são alguns dos objetivos do plano de comunicação da AMA. Este boletim faz parte de uma série de instrumentos que buscam tornar a articulação mais conhecida. Além do jornal, estão previstos site, boletim eletrônico e revista com publicação das experiências agroecológicas. Tudo isso para fazer ressoar a voz dos agricultores e agricultoras familiares e divulgar as boas práticas protagonizadas por eles.
A base do trabalho das entidades que compõem a AMA é a construção coletiva do conhecimento agroecológico. O diálogo e o protagonismo dos agricultores familiares são os diferenciais da produção do conhecimento. O saber nativo dialoga com o acadêmico e produz o conhecimento e as alternativas adaptadas a cada realidade. E são esses mesmos agricultores que se transformam também em educadores e multiplicam o conhecimento produzido nas comunidades e espaços onde vivem.
Todo o trabalho tem como princípio a sustentabilidade e o reposicionamento econômico e social da agricultura familiar. São várias as iniciativas de comercialização ligadas ao trabalho das organizações da AMA: café de alta qualidade no Sul de Minas e Zona da Mata; frutas desidratadas, mel e artesanato no vale do Jequitinhonha; polpa de frutas, cachaça, mel, açúcar mascavo, óleos, sementes crioulas e rapadurinha na região norte; feiras agroecológicas no leste, além de uma diversidade de outros produtos e iniciativas organizativas, sócio-ambientais e econômicas.
Hoje, esses produtos e projetos ofertados possuem valor agregado por serem diferenciados na origem, no manejo e na própria história, e disputam de forma qualificada o espaço nos mercados. Este boletim é o primeiro de uma série de seis, que serão publicados semanalmente. Com eles, você terá a oportunidade de conhecer, em cada edição, um pouco da diversidade agroecológica mineira. Seja bem-vindo ao mundo da diversidade agroecológica!