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Café com gosto do Agreste
10.10.2009 05:10:00 | Convivência com o Semi-Árido | Agronegócio

Cultura adaptada a um clima mais ameno, o café vem sendo cultivado em Pernambuco no Agreste, com um resultado satisfatório de adaptação da variedade arábica. O cultivo exige pesquisa, mas há potencial. Cultivo de café em Pernambuco é fruto de uma experiência com base em pesquisas apoiadas pelo Instituto Agronômico de Pernambuco. Foto: es.gov.br/Reprodução da internet Em Gravatá, a 85 quilômetros do Recife, uma experiência apoiada com pesquisas do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) mostra resultados e pode ajudar a transformar a região num polo cafeicultor.

Com uma produção de 670 sacas por safra, o pequeno produtor e também superintendente do Sebrae em Pernambuco, Nilo Simões, cultiva café há quatro anos na fazenda Miragem. "O café tem uma certa tradição aqui em Gravatá. Há vários pequenos produtores despolpando uma média de 30 sacas por safra e uma produção maior em outros municípios do Agreste e até mesmo do Sertão", conta Simões.

Como há duas safras de café por ano, a expectativa do produtor é conseguir uma colheita anual de pelo menos 1.200 sacas de qualidade elevada, para poder exportar o produto,já que para encher um contêiner são necessárias 320 sacas de qualidade. As experiências na fazenda Miragem agora caminham para a produção de café orgânico - um processo demorado, de pelo menos quatro anos, que demandará pesquisa com adubos naturais.

"É possível que em 2014 tenhamos café orgânico produzido em Gravatá. Os vários agricultores vizinhos também têm interesse neste cultivo. A princípio, vou testar o adubo orgânico na minha produção e em alguns anos poderemos ter um conjunto de produtores com esta prática", detalha Nilo Simões, acrescentando que a mudança no sistema visa agregar valor ao produto final. Ele pensa, inclusive, em desenvolver na região uma experiência semelhante da Guatemala: um resort para degustação de cafés.

Alternativa - Distante alguns quilômetros de Gravatá, no clima semiárido do Vale do São Francisco, a Embrapa e o IPA estudam a adaptação do café na baixa altitude e em temperaturas mais elevadas. Neste caso, o cultivo aparece como alternativa à fruticultura irrigada.

"O café é uma oportunidade de diversificar as culturas. Sair do binômio uva e manga, que são perecíveis, enquanto o café é uma commodity e pode ser armazenada por até cinco anos, criando uma espécie de reserva para os produtores", explica o pesquisador da Embrapa Semi-árido Marcos Braga.

A baixa altitude, até agora, é a grande dificuldade apontada pelo pesquisador. Segundo Braga, para cultivar o café arábico, é necessário uma altitude entre 700 e 800 metros. Hoje em dia, já existe experiência de cultivo dos grãos a 500 metros de altitude. Se o empecilho for ultrapassado, a expectativa é que a planta sofra menos com pragas e tenha, inclusive, o custo de beneficiamento reduzido. Resultados mais consistentes só devem aparecer nos próximos cinco anos, mas o cenário é promissor.

"No semi-árido não vai ser preciso gastar para secar o café. Esta etapa poderá ser feita ao ar livre. Outro aspecto é a redução de problemas com pragas, pois normalmente se desenvolvem com a umidade", explica Marcos Braga. No caso da produção orgânica, há casos em que a saca chega a ser vendida por até R$ 1 mil. Para chegar a este resultado, lembra Marcos Braga, é necessário muita pesquisa e investimento em certificações.

Fonte: Diário de Pernambuco
 
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