A rápida visita do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi compensada pelo anúncio da constituição de um Fundo para o Clima, a ser alimentado com a destinação de 10% dos ´royalties´ do petróleo e com aplicação de 50% destinada ao semi-árido. Dessa forma, as questões ambientais teriam contrapartida financeira anual de R$ 450 milhões.
O ministro demonstrou entusiasmo com os projetos locais de energia eólica, reconhecendo o Ceará como o principal Estado a produzir energia limpa nos próximos anos. O seu potencial encontra-se estimado em 500 megawatts. Mas as condições potenciais para a exploração da energia gerada pelos ventos são muito mais amplas.
O ministro veio prepararar a realização, em agosto do próximo ano, no Ceará, da II Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semi-áridas (ICID+18). O evento não poderia dispor de melhor espaço para sediá-lo, pois o Ceará tem 93% de seu território encravados no semi-árido, constituindo, desse modo, um amplo laboratório natural para pesquisas ambientais, especialmente sobre o clima.
Em meio aos pronunciamentos, o ministro lembrou a existência de estudos indicando o Nordeste como a região a ser mais afetada pelo aquecimento global, com risco de perda de 1/3 da sua economia. Assim, um dos desafios do semi-árido é compatibilizar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental.
As mudanças climáticas estão inseridas nos planos dos países desenvolvidos e periféricos. O crédito dessa conquista é do pesquisador americano Wallace S. Broecker. Nos anos 70, foi ele o primeiro estudioso a chamar a atenção para a necessidade de redução das emissões dos países centrais. Agora, surge outra batalha capitaneada por Broecker: a necessidade da extração do dióxido de carbono(CO2) que já emitiram na atmosfera.
Á época, ele alertava para as "surpresas" dos próximos 100 ou 200 anos. As alterações no clima irão alterar a paisagem. As espécies vegetais migrarão para zonas mais frias, havendo o risco de extinção. As regiões áridas, como o Nordeste brasileiro, ficarão ainda mais secas.
Pela pujança de sua economia, os Estados Unidos se transformaram nos maiores emissores do mundo dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Hoje, sofrem as conseqüências em seu próprio território.
O governo Barack Obama, entretanto, alterou o tratamento atribuído pela administração anterior à questão do clima. Os novos planos prevêem a necessidade de estabelecerem limites para as emissões de dióxido de carbono das usinas a carvão e de veículos abastecidos com combustível fóssil.
Pelo menos, um novo relatório do Programa de Pesquisa sobre o Clima Global, em circulação na América do Norte, conclui: as mudanças climáticas já afetam a água, a energia, os transportes, a agricultura, os ecossistemas e a saúde, de forma diferente em cada região. No Nordeste, a desertificação tende a se generalizar, se não houver mudança consistente de tratamento para o clima.