Para discutir políticas públicas voltadas ao esporte, conselheiros, educadores e gestores públicos se reuniram em Pesqueira, de quarta a sexta-feira da semana passada, como parte do programa Inspiração Internacional. Liderado pelo Unicef, o programa utiliza o esporte e a educação física para transformar a vida de crianças e adolescentes de países em desenvolvimento.
A iniciativa reuniu os municípios de Arcoverde, Belo Jardim, Pedra e Pesqueira. Especialista de programa do Unicef em Pernambuco, Ana Azevedo, fala ao JC-Agreste sobre a iniciativa.
JC - Quais ações possibilitou a reunião?
ANA AZEVEDO - Fortalecer Pernambuco no programa Inspiração Internacional, que é uma iniciativa do Reino Unido para promover o esporte educacional com cidadania para cada criança do Semiárido. Nosso objetivo é desenvolver, com as equipes dos municípios, competências para que se transforme o direito ao esporte numa política pública.
JC - Como vai atuar o Unicef junto aos municípios?
ANA - Incentivamos a implantação de políticas públicas relativas ao esporte. Mas são os quatro municípios que vão atuar junto a conselhos de direito e secretarias de saúde e educação para promover a criação de ações.
JC - O programa está em que fase de implantação?
ANA - Há três fases e agora estamos na segunda. Na fase um, apresentamos o tema esporte e cidadania a todo o Semiárido, junto aos municípios inscritos no Selo Unicef Município Aprovado. A região acabou reagindo, formando projetos. Mas precisávamos aperfeiçoar a metodologia e a estratégia usada. Na fase três, que começa em agosto, vamos ensinar como fazer mais pela criança na perspectiva do direito ao esporte. Vamos usar toda a experiência dessas quatro cidades para trabalhar de novo com todos os municípios do Semiárido na terceira etapa.
JC - Quais são os equipamentos no Semiárido que promovem a prática de esporte?
ANA - A gente identificou que havia prática de esporte nas escolas, mas não como prioridade. Havia aulas de educação física, mas não para todas as crianças. Também não havia espaços públicos adequados nem legislação competente nos municípios para a promoção do direito ao esporte. Tampouco, recursos no orçamento público voltado a isso.
JC - Como os municípios poderão captar recursos para mudar esse quadro?
ANA - Os municípios não recebem recursos nossos, mas orientação de como captá-lo. No encontro que fizemos em Pesqueira, mostramos como captar recursos para uso da lei do esporte. Os participantes aprenderam a seguir toda orientação técnica da lei de incentivo, que é federal. Eles puderam sair do curso com seu projeto pronto e já podem buscar incentivos.
JC - É difícil para uma cidade se adequar à prática de esportes?
ANA - A cidade precisa fazer seu diagnóstico, para avaliar que tipo de estrutura possui, porque mesmo que ela seja muito pobre, sempre possui clubes e associações que podem ser usados para práticas de esporte. O recurso federal é um apoio que eles devem buscar, mas isso não quer dizer que, sem ele, não se possa haver prática de esportes. Criança quer direito de brincar e ter área de lazer.
JC - Qual a importância do esporte para o desenvolvimento da criança?
ANA - Na organização de equipes de brincadeira há regras de convivência e disciplina, e isso ajuda a criança na escola e em sua formação enquanto cidadão. Além do mais, para praticar esporte, a criança deve estar nutrida. Assim, é preciso haver uma ação integrada no município, com secretarias de esporte, educação e saúde, por exemplo.